segunda-feira, 20 de junho de 2011

Diplomacia cultural: A lusofonia, a CPLP e a difusão do português no mundo (Outras Palavras)


Língua Portuguesa: expansão e diversidade

Para diretor de instituto internacional do idioma, globalização é multilíngue. Português avança, mas não será língua única de país algum

A notícia passou quase despercebida, numa mídia pouco atenta aos grandes temas contemporâneos. Um estudo da Semiocast – uma consultoria francesa, especializada em pesquisa e inteligência de dados – revelou que o português já era, em fevereiro de 2010, a terceira língua mais “falada” no twitter. Usado em 9% das micropostagens, estava atrás apenas inglês e japonês. A investigação destacou, além disso, que a língua de Shakespeare perdia terreno rapidamente. Havia caído para 50% dos tweets globais ainda muito, mas bem abaixo dos 66% que representara, apenas um ano antes. Idiomas pouco conhecidos no ocidente – entre eles, o malaio (6%), árabe, hebreu, islandês, persa, swahili, nepalês e pashtum – comparaciam, cada um, com mais de 2%.

Ao menos duas conclusões emergem destes resultados. A ideia de que a globalização conduziria a uma homogenização empobrecedora das línguas, e à imposição progressiva do inglês, não parece se confirmar na prática. As novas comunicações em rede vão se desenvolvendo na forma de uma galáxia multilíngue, na qual o português – impulsionado certamente pela forte presença do Brasil nas redes sociais – parece ter importância real.

O linguista brasileiro Gilvan Müller de Oliveira está convencido de que as relações entre os idiomas expressam sempre poder; e que, portanto, a garantia da diversidade linguística, é uma conquista democratizante, pela qual é preciso lutar de modo permanente. Gilvan é, desde outubro de 2010, diretor-executivo da organização encarregada de estimular a difusão global do português, e de gerir seu desenvolvimento. Trata-se do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP), criado em 2002, pela Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), sediado em Cabo Verde, é pouco conhecido no Brasil, embora muito atuante.

A partir do impulso de Gilvan, o IILP (vale conhecer também seu blog) tem adotado uma estratégia de expansão global do idioma audaciosa e refinada. Age para fortalecê-lo em regiões como a Galícia (no Estado espanhol), cuja língua, o galego, é muito semelhante à nossa. Busca resgatá-lo mesmo em países onde é empregado por pequenas comunidades – por exemplo, a Guiné Equatorial, onde os idiomas oficiais são espanhol e francês, mas há um idioma crioulo com traços de português. Estabelece laços com comunidades importantes que falam a língua em países onde poucos suspeitariam – a Ucrânia, por exemplo.

Mas, coerente com a defesa da diversidade, o IILP destoa de velhas concepções, favoráveis à suposta “pureza” da língua. Gilvan, que atuou anos defendendo os idiomas dos autóctones brasileiros contra a homogenização imposta pela português, orgulha-se das 3500 escolas bilíngues hoje instaladas no país, frequentadas por 200 mil índios. Posiciona-se a favor do ensino das línguas crioulas nas nações africanas onde o português era, até há pouco, o idioma único nas escolas. Condena as políticas que desestimularam, no passado, o uso do italiano, alemão ou polonês por comunidades de imigrantes no Brasil – para não falar na repressão à “língua geral”, predominante em várias regiões até o século 18 e hoje extinta, depois de longa e tenaz repressão – que chama de “dilapidação do patrimônio linguístico. Lembra que somos ainda, apesar disso, um país de cerca de 210 idiomas [ver seu artigo a respeito], e é preciso valorizá-las.

A entrevista a seguir registra seus pontos de vista e planos de ação no IILP. Ela própria é, aliás, expressão das colaboração linguística e cultural que pode haver no interior da CPLP. Adaptada por Outras Palavras, foi produzida em Cabo Verde, por Kriolidadi, um suplemento do jornal A Semana. A versão original pode ser conferida aqui (A.M.)

Qual é o papel do Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP)?

Gilvan Müller de Oliveira: O instituto é uma iniciativa inovadora e supranacional de gestão do português. Sediado em Praia (Cabo Verde), representa de forma paritária e comunitária as oito nações da Comunidade de Países da Língua Portuguesa (CPLP) – Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Todos financiam, participam e têm direito aos benefícios da promoção e difusão da língua portuguesa. Através do Instituto, a língua portuguesa deixa de ser gerida só na sua base tradicional – Brasil e Portugal – e promove um contato mais estreito entre os países lusófonos, cada um gerindo sua pluralidade interna, mas podendo dialogar num quadro mais amplo.

Esta visão plural permitirá promover, em setembro, o Colóquio de Maputo, quando discutiremos a diversidade linguística na CPLP. Vamos debater experiências como as do Instituto de Linguística do Timor-Leste – que é responsável pela norma do tétum; do Instituto Angolano de Línguas Nacionais – que começa a fazer o trabalho de mapeamento das línguas nacionais (kikongo, kimbundu). Acompanhamos a criação da Licenciatura Intercultural Bilingue da Universidade Federal do Amazonas, no Alto Rio Negro. Ou a recente oficialização do mirandês, já aprovado pelo Parlamento Português. E, em Cabo Verde, as discussões para a oficialização e reconhecimento da língua crioula.


Como será esse novo modelo que quer reorganizar a lusofonia no mundo?

Gilvan Müller de Oliveira: Queremos gerar e provocar novos contatos. Colocar em diálogo centros de produção de saberes linguísticos que nunca antes tinham entrado em contacto e que veiculam a língua e cultura dos países da CPLP.


De que forma?

Gilvan Müller de Oliveira: Por exemplo: em breve, vamos organizar a primeira vídeoconferência de rádios comunitárias de língua portuguesa, que podem ser um imenso veículo de promoção do português. Se temos em conta que essas rádios comunitárias quase nunca tiveram oportunidade de se encontrar, estamos abrindo a via para projetos concretos de atuação e gestão da língua.


Por que Cabo Verde foi escolhido para sediar o Instituto?

Gilvan Müller de Oliveira: Por sua situação geográfica e também linguística – no Atlântico, entre a América, a Europa e a África – Cabo Verde é símbolo de que a língua portuguesa não é só do país onde ela nasceu, Portugal, nem dominada pelo país com o maior número de falantes, o Brasil. Situa-se a meio caminho de várias rotas, e com uma perspectiva promissora em termos de gestão da língua, na medida em que as negociações para oficialização do crioulo avançam, e o processo de transformação do português em um idioma de circulação internacional vai-se consagrando pelo aumento constante da escolaridade da população. Poderá ser um modelo para os países da CPLP em África que também são países plurilingues.


Quais são as perspectivas do IILP para os próximos anos?

Gilvan Müller de Oliveira: Em março de 2010, os Estados-membros da CPLP realizaram, pela primeira vez, uma conferência sobre o futuro do português. O encontro delegou ao IILP tarefas concretas, relacionadas a quatro pontos: a língua portuguesa nas organizações internacionais; a diversidade linguística na CPLP; a Língua Portuguesa na Diáspora; e a Língua portuguesa na Internet. Decidimos realizar quatro colóquios, em quatro países diferentes. Cada colóquio vai se debruçar sobre as linhas de ação específicas. O IILP deverá ser, entre 2012 e 2014, um instituto de execução de projetos, de organização do campo linguístico e do estabelecimento das redes nesta grande comunidade.

A Wikipédia existe em 248 línguas, e a tendência é
que isso continue a crescer. O Google já busca em 128 idiomas –
entre eles, hindi, polaco, quéchua…”


O que acha da proposta do mestre em linguística, João Rosa, que recentemente defendeu o ensino do crioulo nas salas de aulas de Cabo Verde até o terceiro ano escolar?

Gilvan Müller de Oliveira: É sempre saudável realizarmos políticas que reconheçam a realidade. O crioulo é a língua de Cabo Verde, um país que está buscando uma forma de gestão do seu bilinguismo identitário, instituinte.

O que se sabe já, de outras experiências, é que é sempre melhor para as crianças que aprendam a sua língua materna. Não se trata de um truísmo, é um conhecimento bem estabelecido. Assim como tem acontecido em outros países da CPLP, caso de Timor; de Moçambique com suas escolas bilingues; do Brasil com suas 3.500 escolas bilingues indígenas que têm 200 mil alunos, para não citar outros países.

É importante que Cabo Verde, a médio prazo, possa ter a língua cabo-verdiana como língua de instrução, paralelamente ao português, porque isso vai permitir, em primeiro lugar, que as pessoas separem os dois sistemas linguísticos de uma maneira mais clara. Vai permitir ainda a produção de conhecimento em língua cabo-verdiana – que é importante para a cidadania. Não acredito, como tenho escutado, que esta possibilidade seja uma ameaça para o português em Cabo Verde. O português está num momento de crescimento internacional, e tem-se tornado lentamente uma língua de oportunidades.


A Unesco lançou, há algum tempo, um programa de incentivo ao plurilinguismo chamado “The Language Matters”. Por que pedir atenção para este tipo de assunto?

Gilvan Müller de Oliveira: Estamos entrando numa era chamada por muitos de sociedade do conhecimento, na qual os modos de produção são redes comunicantes que precisam de informação atualíssima. E a língua é o principal instrumento. Há uma necessidade de instrumentos multicanal cada vez mais plurilingues: uma explosão das oportunidades de uso e expansão para muitas línguas. É o contrário do que se previa nos anos de 1990, quando se falava do domínio do inglês pela sua presença maciça no mundo, e do desaparecimento de outras línguas.


Que oportunidades são essas?

Gilvan Müller de Oliveira: A Wikipédia existe em 248 línguas, e a tendência é que isso continue a crescer. O Google já busca em 128 idiomas – hindi, polaco, quéchua. Para que estes programas e sites estejam disponíveis na internet, é necessária toda uma tarefa de retaguarda de terminólogos, gramáticos, lexicógrafos que poucos sabem que existe. Quando uma língua entra no meio digital, aquilo é só a ponta do iceberg de um trabalho imenso, que foi feito e consolidado por baixo.


Qual a importância disto?

Gilvan Müller de Oliveira: As oportunidades para que as pessoas possam viver na sua língua estão crescendo. Estamos nos encaminhando para soluções plurilingues, quando antes nós só enxergávamos soluções monolingues. Aquela ideia do século XIX, de Estados autarcas e fortes, de uma soberania encerrada numa única língua, na tentativa de controlar corações e mentes, ficou obsoleta e fadada ao passado. No entanto, ter o direito e oportunidade de viver na sua língua, não implica que você não possa aderir a outras línguas, ao mesmo tempo. Acaba, então, aquela dicotomia “ou eu falo a minha língua materna ou eu falo uma segunda língua”.

Estamos passando por um momento positivo de plurilinguismo. Preconizado pela Unesco desde pelo menos 1958, ele vai se concretizando numa série de instrumentos linguísticos como a Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, de Barcelona em 1996, a Declaração Universal da Diversidade Cultural, de 2007.

Ter direito de liberdade de expressão não é só
dizer o que eu penso – é poder dizer isso na minha língua,
e não apenas na língua hegemônica”


É a descoberta econômica da língua?

Gilvan Müller de Oliveira: Também: a percepção do erro que foi os Estados terem delapidado seu patrimônio linguístico, oprimindo grupos minoritários que falavam línguas que hoje poderiam significar a conexão com comunidades de outras nações, e gerar intercâmbio econômico. No entanto, além da dimensão econômica, há o direito linguístico enquanto locus do direito humano. Ter direito de liberdade de expressão não é só dizer o que eu penso – é ter direito de dizer isso na minha língua, e não apenas na língua hegemônica. Em terceiro lugar, é a revelação da língua como instrumento essencial de manutenção da diversidade de tradições e conhecimentos produzidos pela humanidade. Precisamos evitar que eles se percam, como ocorreu durante o longo período em que a tradição ocidental foi imposta como única forma legítima, expressa nas línguas europeias. Foi o que poderíamos chamar de função linguística do colonialismo.

A manutenção destas línguas e tradições de conhecimento implica reconhecer uma estrutura ecológica de saberes da qual necessitamos para sobreviver. É o oposto de crer que só a tradição ocidental é legítima, estando autorizada a destruir outras tradições, a considerar superstição todo um rol de conhecimentos, taxados com adjetivos negativos em nome da cientificidade declarada universal.


É preciso gerir melhor a política linguística no mundo?

Gilvan Müller de Oliveira: Nosso trabalho envolve explicitar as políticas linguísticas. Exige superar uma visão ingênua, que vê a língua como instrumento da natureza, monumento nacional, ou algo que se deu por si mesmo, que nasceu como nasce um baobá, que cresceu e engordou como se fosse um animal, uma planta. A língua, ao contrário, é a mais evidente criação do ser humano, e como todo o produto cultural ela sofre intervenções políticas todo o tempo – mesmo que o grosso da população nunca saiba que decisões foram estas. Portanto, tornar visível a questão política das línguas e sua gestão é meta de qualquer Estado democrático e qualquer instância internacional.

Que representa a entrada na CPLP da Guiné-Equatorial, único país africano de língua espanhola?

Gilvan Müller de Oliveira: A Guiné-Equatorial requisitou seu ingresso na CPLP como membro pleno, o que é uma novidade muito grande. É um país que dá passos para redefinir sua identidade linguística nacional, a partir da oficialização do francês e do português, em função dos seus interesses regionais e das suas possibilidades econômicas e diplomáticas. A Guiné-Equatorial está integrada na CEAC (Comunidade Econômica da África Central), que também tem o francês e o português como línguas oficiais, a partir da presença do Gabão e São Tomé e Príncipe.

É um sinal de que a língua não é uma fatalidade, é uma decisão política. A entrada de Guiné-Equatorial implicará uma série de medidas, que definirão qual será a presença do português naquele país: em que instâncias afetará a população, se entrará como língua de trabalho em determinadas áreas. Tal como a Guiné-Equatorial, há muitos outros países que hoje gostariam de entrar na CPLP. É um bom sinal, um bom augúrio para o bloco. Ninguém quer entrar num clube que não funciona, mas quando as coisas começam a melhorar as pessoas passam a querer aderir.

A ideia do século XIX: Estados autarcas e fortes,
soberania encerrada numa única língua,
na tentativa de controlar corações e mentes, ficou obsoleta”


Quais são as exigências da CLPL para a entrada da Guiné-Equatorial?

Gilvan Müller de Oliveira: O primeiro passo foi elaborar um mini-plano que dará origem às estratégias de implementação do português no período 2011-2012. Implica definir o que se entende por oficialização do português: a oferta no setor público, na comunicação, no ensino superior. Por si só, a oficialização ainda não quer dizer nada. O português, por exemplo, apesar de ser oficial em Timor Leste, tem usos específicos. Este ano foi a primeira vez que houve uma sessão parlamentar em português lá.

Uma segunda ação é entender como a população sente a língua: Tem uma visão positiva? É vista como uma língua de opressão ou de abertura para o mundo? Existem setores que rechaçam o português? Em terceiro lugar, serão criados dois centros para o ensino do português: um na capital, Malabo, outro em Bata, principal cidade da Guiné-Equatorial continental. Quarto: haverá um programa de português na rede pública de televisão por semana, sem legenda nem dublagem. Quinto: será feito um estudo do crioulo de Annobón(o IILP vai movimentar uma equipe para isso), para caracterizar esta herança portuguesa a partir da existência do crioulo, da família dos crioulos do Golfo da Guiné, junto com osantomé, o lingué e o angolar, todos de São Tomé e Príncipe.


Qual a situação do português nas organizações internacionais?

Gilvan Müller de Oliveira: É importante que o idioma esteja presente nas organizações diplomáticas, como a ONU. Mas o mais importante, a meu ver, é o crescimento do português nos blocos econômicos regionais. Porque eles – e o Mercosul é um belíssimo exemplo – envolvem toda a sociedade, não só o corpo diplomático. Envolvem mobilidade física, parcerias de produção, conhecimento de títulos de formação, ações conjuntas. Vivificam a convivência entre comunidades linguísticas. E o português é língua oficial em cinco blocos, dos 17 existentes no mundo: União Europeia, Mercosul, Cedeao, CEAC, SADC e futuramente pode ser ainda língua oficial da Asean, quando Timor deixar de ser observador e se tornar membro pleno.


Você falou de “países-observadores” da CPLP. Qual é a situação do Senegal, Ilhas Maurício, Ucrânia que já sinalizaram o interesse em ter o português no seu território?

Gilvan Müller de Oliveira: Friso que também a Galícia, região autônoma da Espanha, faz um movimento em direção à CPLP, porque uma das polêmicas que vive é que o galego é português.

O Senegal tem uma área tradicional falante do crioulo da Guiné-Bissau, que é Ziguinchor, capital da província de Casamance, um antigo território português que foi trocado por Cabinda, em Angola, no final do século XIX.

Recentemente, saiu a biografia do ex-presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, e ele diz: “o colonialismo português na África em muitos momentos foi pior que o apartheidpara os africanos”. Isso é interessante porque apesar de tudo o que o português significou para o continente, existe uma sintonia e vontade de aproximação destes países (no âmbito dos blocos linguísticos e políticos), tanto por parte da elite quanto das classes populares. Existe uma vontade de pertença, que na minha opinião é um fator positivo e deveria ser investigado.

Isto traduz o novo modelo de lusofonia, que quer promover a adição de culturas e tradições a partir da língua – ao contrário do cenário antigo, que subtraía valores?

Gilvan Müller de Oliveira: Exatamente. Por que a Ucrânia teria interesse em ser membro da CPLP? Para além dos 400 mil ucranianos que vivem no estado do Paraná, no Brasil? Porque parece que no tempo da União Soviética cada república era especializada numa relação internacional, e a relação da URSS com os países de língua originária do português era prerrogativa da Ucrânia. Então estabeleceu-se lá um vínculo de 1975, um elo que permitiu a muita gente aprender o português. Muitos cidadãos foram para a África, e eles não querem desperdiçar este capital humano, linguístico e cultural que foi acumulado. Como o Brasil desperdiçou o capital da migração alemã, italiana, da língua guarani falada na Bolívia, Paraguai, Argentina. O Brasil, de certo modo, jogou no lixo oportunidades abertas pelo contato com estas outras comunidades. Trata-se de aproveitar o português nesta conjunção. Tornar a língua mais atraente, passível de paridade e negociação. Talvez seja uma novidade do século XXI.

Fonte: Outras Palavras.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Humor Internacionalista: A eleição do FMI e o Nhonho

Alguém já notou que o candidato mexicano (Agustín Carstens) ao posto de diretor-geral do FMI é uma versão envelhecida do Nhonho, do seriado Chaves?

Confiram abaixo. Não é um jogo dos sete erros?




Crédito das fotos: [1] [2]

quinta-feira, 16 de junho de 2011

International security: South China Sea dispute (The Economist)

Banyan

Not littorally Shangri-La

The South China Sea becomes a zone of eternal dispute


CHINA and America make the weather in Asia-Pacific security. A year ago, when policy wonks and defence officials gathered in Singapore at the Shangri-La hotel for their annual “dialogue” on the subject, a chill was in the air. Robert Gates, America’s defence secretary, complained about petulant rebuffs from China, which at the time put up a cold front. A hawkish Chinese strategist at the conference was unapologetic, growling that America was “taking the Chinese as the enemy”.

This year, when the dialogue reconvened on June 4th, Singapore was deluged by a succession of tropical downpours, but Mr Gates, on the brink of retirement, was in sunnier mood, praising an improvement in China-US relations. China even honoured the event, organised by the International Institute of Strategic Studies, a London-based think-tank, by sending its defence minister, Liang Guanglie, for the first time. By the standards of speechifying Chinese soldiers, General Liang was remarkably affable, praising a “co-operative partnership” with America.

Yet the shifts in tone from the blunt to the bland and in posture from finger-pointing to backslapping have not been matched by progress toward solving any of the two countries’ underlying disputes in the region. The biggest concern Taiwan, the Korean peninsula and—which is bound to dominate any forum held in South-East Asia—the South China Sea, where the risks of failing to resolve a mesh of overlapping territorial claims are mounting.

America is not directly involved. But it has declared a “national interest” in preserving freedom of navigation in the sea. Of the 74,000 vessels, carrying one-third of global seaborne trade, that passed through the Strait of Malacca last year, most also plied the South China Sea. Commerce is not in fact under immediate threat. But America, Mr Gates insisted in Singapore, wants to remain an Asia-Pacific power. Ever twitchy about China’s intentions, South-East Asian countries hope he means it.

Speaking at another annual regional forum, the Asia-Pacific Round-table, in Kuala Lumpur a few days earlier, Admiral Robert Willard, America’s commander in the Pacific, said its navy aimed to maintain a “continuous presence” in the South China Sea. Despite budget constraints, America seems determined to beef up its deployment in the area. China is unlikely to welcome that. Its spokesmen are complaining more loudly about America’s habit of sending surveillance ships close to its shores. In 2009 a nasty row erupted when China harassed one. In Singapore Mr Gates blamed China’s lack of transparency, saying most of the snooping was into “mysteries” rather than “secrets”. China is hardly willing to accept that distinction.

More likely than conflict between the big powers, however, are clashes between China and the smaller claimants to parts of the sea. Of these, Taiwan, still notionally the Republic of China, mirrors the Beijing government’s claim. This seems based on a 1940s map giving China virtually the whole sea, ignoring the 1982 United Nations Convention on the Law of the Sea (UNCLOS). The most belligerent of the other claimants is Vietnam, which says it has sovereignty over both the Paracel Islands, in the northern part of the sea, from which China evicted it in 1974, and the Spratlys, farther south (where the Philippines, Malaysia and Brunei all have partial claims). On June 5th hundreds joined anti-Chinese protests in Hanoi and Ho Chi Minh City provoked by an incident in late May in which a Vietnamese ship exploring for oil and gas had its surveying cables cut by Chinese patrol boats.

Besides a wealth of marine life, the sea is believed to be rich in oil and gas: the “next Persian Gulf” in the words of one excited observer. The countries laying claim to this bounty have all been building up their navies, notably China which this week officially confirmed long-known plans to deploy its first aircraft-carrier. To counter such advances, Vietnam has ordered six Kilo-class submarines from Russia.

In 2002 China and the ten-member Association of South-East Asian Nations agreed to a “declaration” on a code of conduct for the sea. This is a promise to formalise a code minimising the risk that disputes between fishermen or other users of the sea might escalate into conflict. The code has not emerged. But optimists point to the restraint parties have shown since 2002 in not occupying uninhabited islands or specks of rock (though they have been energetically fortifying the places where they already had a presence). Similarly, some were cheered when China’s most recent statement of its claim did not include the contentious map, and could even be construed as accepting UNCLOS principles.

Douglas Unfairbank

However, China does not inspire confidence. Around the time when the Vietnamese survey ship had its lines cut, the Philippines reported that Chinese vessels had been spotted unloading building material on an uninhabited reef, known as the Amy Douglas Bank, in waters it claims, apparently to build an oil rig. If so, this would undermine the declaration’s one big achievement. “It could be the final nail in its coffin,” says Ian Storey of the Institute for South-East Asian Studies in Singapore, author of a new book on China’s rise and South-East Asian security.

Even if China does not build on the reef, the perception has taken hold that it is intent on picking off the South-East Asian claimants one by one, starting with the Philippines, one of the weakest. No wonder many in the region will have been cheered by Mr Gates’s response to a question about America’s commitment: laying a $100 bet “that five years from now the United States’ influence in this region [will be] as strong if not stronger than it is today.” An even safer bet is that, during that period, hardly any of the plethora of interlocking international disputes in the South China Sea will have been resolved.

Source: The Economist.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Regional integration: Un nouveau marché commun (BBC Afrique)

Un nouveau marché commun

Dernière mise à jour: 12 juin, 2011 - 16:46 GMT
Le nouveau  marché commun a été lancé en Afrique du sud

D'ici 2014, les produits et services vont circuler librement dans la nouvelle communauté

En Afrique du Sud, plus d’une vingtaine de Chefs d’Etats et de gouvernements d’Afrique ont signé dimanche en grande pompe l’acte fondateur du plus grand marché commun du continent.

A terme, c’est à une fusion de trois communautés économiques allant de l’Egypte à l’Afrique du Sud ; et de l’Angola à Madagascar.

Mais derrière l’enthousiasme affiché, il y a de nombreuses inquiétudes dissimulées par des pays sans réel tissu industriel.

Cela étant, dans trois ans, c'est-à-dire d’ici 2014, les produits et services, mais également la main d’œuvre des 26 pays, vont circuler librement dans la nouvelle communauté qui gardera pour le moment l’appellation d’Alliance tripartite.

Ce n’est pas avec les mêmes arguments que tout le monde s’engage dans ce que l’on s’accorde à présenter comme une grande opportunité.

D’un côté, il y a de petits pays qui n’ont à priori pas un grand intérêt à éliminer les taxes douanières sur les produits en provenance des autres pays signataires de l’accord.

C’est le cas de la RDC dont le ministre de l’industrie et du commerce veut malgré tout rester optimiste.

Anicet Kouzounda mise, par exemple, sur ‘les investissements’ que la nouvelle structure va créer.

Des investisseurs intéressés par le vaste marché seraient, en fait, attirés par des pays comme la République Démocratique du Congo où la main d’œuvre est bon marché, toute chose qui bénéficierait à cet Etat à travers la création d’emplois.

Mais dans l’immédiat c’est l’Egypte et l’Afrique du Sud qui devraient surtout bénéficier du marché commun en gestation.

Pour faciliter la circulation des biens et services, routes en parfait état et chemins de fer vont traverser le continent de l’Egypte à l’Afrique du Sud.

Les mêmes voies de communication vont relier l’Océan Atlantique à l’Océan Indien, de l’Angola à la Tanzanie.


Source: BBC Afrique.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

International security: Military spending in 2010 (The Economist)

Military spending

Defence costs

Jun 8th 2011, 14:00 by The Economist online


The biggest military spenders

ON JUNE 8th China's top military brass confirmed that the country's first aircraft carrier, a refurbishment of an old Russian carrier, will be ready shortly. Only a handful of nations operate carriers, which are costly to build and maintain. Indeed, Britain has recently decommissioned its sole carrier because of budget pressures. China's defence spending has risen by nearly 200% since 2001 to reach an estimated $119 billion in 2010—though it has remained fairly constant in terms of its share of GDP. America's own budget crisis is prompting tough discussions about its defence spending, which, at nearly $700 billion, is bigger than that of the next 17 countries combined.







Source: The Economist.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Bilateral Relations: Brazil & China (Financial Times)

The New Trade Routes: Brazil & China (Financial Times)

terça-feira, 31 de maio de 2011

Development: The rebirth of Russian foreign aid (The Guardian)

  • guardian.co.uk,
  • Article history
MDG : Russia Aid : Uzbek people receive humanitarian aid from Russia in Osh, Kyrgyzstan
Aid arriving in Kyrgyzstan from Russia after ethnic clashes last year. Photograph: Igor Kovalenko/EPA

Russia spent $472.32m on foreign aid in 2010, according to the Russian ministry of finance's report released in advance of this week's G8 summit in Deauville, France.

The country's aid spending, according to the report, dropped from $785m in 2009 to $472.32m in 2010 – a decrease of 40%. However, Russia had only temporarily increased its aid budget in 2009 to soften the blow of the global financial and economic crises, particularly in the neighbouring former Soviet republics, the report says.

Though Russia has the smallest aid budget of the G8 bloc, it is often called a "re-emerging" donor. The Soviet Union provided massive amounts of aid for several decades during the Cold War – some $26bn in 1986 alone – but Russia became a net recipient of assistance in the 1990s after the fall of communism. Until last year, Russia was a recipient of UK aid.

A Russian government strategy paper, from 2007, about foreign aid policy set an annual spending target of $400-500m and talked about setting up a specialised government aid agency. "Present-day realities of global policy and economy and Russia's status of a superpower suggest that Russia could pursue a more active policy in international development assistance, including an increase in government spending for these purposes," it said. Emerging market rival Brazil already has its own aid agency and South Africa launches its development partnership agency this year.

Priorities for Russian overseas aid last year included food security and health programmes, with $98.2m for agricultural training and technology in African countries, and more than $80m on global health programmes in developing nations.

Unlike aid from many of the other large economies, most Russian development assistance is channeled through multilateral organisations, including the World Bank, the UN, and global initiatives to stimulate industry investment for vaccine research and development. More than 60% of Russian aid for global food security initiatives last year was channelled through multilateral organisations.

Russia has been up-front about the role it hopes its aid budget will play in maintaining its regional influence and rebuilding its public image. However, Andrei Bokarev, the head of international financial relations at the Finance Ministry, said in January that the government needs to do more to publicise Russia's aid programme because it doesn't get enough media coverage.

But as other G8 countries, including the US and Britain, struggle to make the case for development aid to a domestic public increasingly affected by budget cuts, Russia is experiencing its own special challenges, with one in eight Russians living below the official poverty line and millions unemployed.

"Russia is becoming a major provider of development assistance for low-income countries in the region," says the World Bank. "Yet development also remains a domestic imperative." In 2008, official poverty rates ranged from 38% in Kalmykia (in the south) to 7.4% in oil-rich Khanty-Mansiysk.

Despite the domestic problems, Russia has said the role of its foreign aid is to "strengthen the credibility of Russia and promote an unbiased attitude to the Russian Federation in the international community". A more consistent policy on international development would help strengthen its international position, said its 2007 strategy paper, and could spur Russia's domestic development by promoting trade and economic cooperation with countries that receive Russian aid. And, it added, a strong development policy could promote a "belt of good neighbourliness" along Russian borders and help address issues from drug trafficking to cross-border crime.

In response to the global financial and economic crises, Russia backed the creation of a multi-billion dollar crisis response fund to help struggling neighbours. Through the fund, Russia gave Tajikistan a $63m grant last year. And between 2006 and 2009, Russia put together a multi-million dollar package to develop health systems in neighbouring republics, in response to the threat of an influenza pandemic. More than 40 laboratory facilities in the region were re-fitted and upgraded, and 200 specialists were trained on influenza surveillance and response.

Last week, leading development charities accused the G8 of "cooking the books" in its annual accountability report, released in advance of the Deauville summit. The charities said the report covered up broken promises to the world's poor by ignoring the impact of inflation. But unlike other members of the G8 – the US, Britain, France, Germany, Japan, Italy and Canada – Russia did not make specific commitments for aid to Africa at the 2005 Gleneagles summit and does not submit its aid figures to the OECD, which monitors progress on aid pledges.

In 2007, Russia committed to the UN aid spending target of 0.7% of gross national income (GNI), though set no specific timeframe for meeting the target. If it had met the 0.7% target in 2009, Russia would have been the world's 6th largest aid donor, with a budget of $9.27bn.


Fonte: The Guardian

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Vídeo: "Histoire de la diplomatie française" (em francês)

Documentário simplesmente fantástico sobre a história da diplomacia francesa, produzido pela TV5 Monde.

Rico em depoimentos, documentação e imagens de época.

É uma boa pedida para relaxar nesse fim de ano.

Aproveitem porque ele está disponível para visualização gratuita somente até amanhã (31 de dezembro).


Para ver o documentário, clique aqui:


Foto: Quai d'Orsay (sede da diplomacia francesa).