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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Vídeo: "Le monde selon Brasília"

Para os falantes de francês, eis um grande documentário sobre a diplomacia brasileira.

É interessante perceber como os estrangeiros veem a atuação internacional do Brasil, sem "complexos de vira-lata" e sem os preconceitos que muitos brasileiros ainda têm a respeito do papel do país no cenário mundial.

O documentário foi produzido pelo canal franco-alemão ARTE TV.



sábado, 10 de julho de 2010

Another BRIC in the wall?



Bruno Hendler [1]


Grandes mercados emergentes, territórios imensos, abundância de recursos naturais, liderança regional. O que faz de Brasil, Rússia, Índia e China um grupo coeso e merecedor de uma sigla tão popular – os BRIC? As oportunidades de cooperação que aparecem para esses quatro países são proporcionais aos desafios encontrados, sejam econômicos, político-diplomáticos ou culturais.

Com nítidas divergências sobre temas como aquecimento global e não-proliferação de armas nucleares, bem como rivalidades históricas e concorrência econômica acirrada em países periféricos, é difícil conceber os BRICs como um bloco integrado e dono de uma política externa convergente, tal qual a União Européia. Ainda assim, a reportagem veiculada pela revista The Economist em abril de 2010 evidencia a crescente relevância destes países no cenário internacional, ora individualmente ora atuando em conjunto. Ser parte do BRIC, segundo a revista, não significa sacrifícios em nome do grupo, mas um benefício subjetivo de ser sinônimo de mudança, crescimento e mercado emergente.

Para o criador da sigla, Jim O'Neill, o grupo é um bom mecanismo para pressionar os países ricos a mudar seu papel na gerência da economia global de forma mais radical. No link, é possível encontrar a matéria completa da The Economist e “dissecar” o quadro interativo que mostra as alianças econômicas e políticas de cada país. No blog do diplomata brasileiro Paulo Roberto de Almeida há, também, alguns artigos aprofundados sobre o assunto.


[1] Bruno Hendler é analista internacional. Bacharel em Relações Internacionais pelo Centro Universitário Curitiba (UniCuritiba). E-mail: bruno_hendler@hotmail.com .

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Humor Internacionalista: Perguntar não ofende...

Por que o Lula continua a querer um caça que o Sarkozy não conseguiu vender para ninguém? Será que a Carla Bruni acabou entrando no negócio?


sábado, 9 de janeiro de 2010

Novas fontes online sobre política externa brasileira do CPDOC/FGV

O CPDOC/FGV anuncia a disponibilização online de três novos arquivos sobre política externa brasileira:

- Antônio Francisco Azeredo da Silveira

- Paulo Nogueira Batista

- Luiz Felipe Lampreia


Os materiais somam mais de 72 mil documentos e centenas de fotografias.

O novo sistema de buscas online do CPDOC permite a visualização completa de documentos, assim como o envio de comentários e observações por parte da comunidade de pesquisadores.

Para acessar o material na íntegra basta cadastrar-se no portal do CPDOC e acessar a base de dados em http://www.fgv.br/cpdoc/busca

O Guia de Arquivos está disponível para consulta em http://www.fgv.br/cpdoc/guia


Adaptado de: Boletim Mundorama

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Os "Estados fracassados" e a segurança nacional do Brasil



Os ataques de piratas a embarcações de diversas nacionalidades na costa da Somália, a ressurgência do Talibã no Afeganistão e no Paquistão e a atuação da força de paz das Nações Unidas no Haiti são temas que frequentam os noticiários internacionais dos principais veículos de imprensa do mundo. Todos eles têm mais um ponto em comum: são as mais recentes manifestações do processo de fragilização estatal, redundando eventualmente no surgimento de Estados fracassados.


O fenômeno dos Estados fracassados passou a receber atenção da academia em meados dos anos 1980, com o artigo Why Africa’s Weak States Persist: the Empirical and the Juridical in Statehood (1982) e o livro Quasi-states: sovereignty, international relations and the Third World (1990), ambos de autoria de Robert Jackson, seguidos do artigo Saving failed states (1992), de Gerald Helman e Steven Ratner (ALEXANDRINO, 2008, p.1).


O fim da Guerra Fria agravou a problemática em torno dos Estados fracassados, por uma série de fatores: muitos Estados deixaram de ter a sua economia e seu aparato de segurança financiados por uma das duas superpotências; a legitimidade de muitos deles acabou sendo erodida devido à sua incapacidade de solucionar problemas como a miséria, o desemprego e a criminalidade; e os anos 1990 viram a ascensão (ou o recrudescimento) de rivalidades étnicas e de movimentos separatistas que não existiam ou estavam suspensos durante a Guerra Fria, fazendo com que os alinhamentos políticos deixassem de se pautar em termos ideológicos (como ocorria na Guerra Fria) e passassem a adquirir um matiz predominantemente étnico-nacionalista (QUADROS, p.85 in PENNAFORTE, 2008).


Ademais, os profundos deslocamentos geopolíticos ocorridos na época representaram a quarta onda de criação de Estados no sistema internacional nos últimos duzentos anos (CARMENT, 2003, p.411) . Com efeito, mais de vinte Estados foram criados na Europa Oriental e na Ásia, muitos deles sem qualquer precedente histórico, deixando a impressão de que a autodeterminação inesperadamente “caiu no colo” de diversos povos, conforme observa de forma perspicaz Michael Ignatieff (apud CARMENT, 2003, p.407): “[…] huge sections of the world’s population have won the right of self determination on the cruelest possible terms: they have been simply left to fend for themselves. Not surprisingly, their nation-states are collapsing” .


Durante os anos 1990, o fracasso de Estados era considerado predominantemente como um tema humanitário, pois estava relacionado com problemas como a escassez de alimentos, a proliferação de doenças e o crescimento no número de refugiados, motivando intervenções da comunidade internacional em locais como a Somália (a partir de 1992), o Haiti (a partir de 1993) e Serra Leoa (a partir de 1998). Os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos adicionaram uma dimensão securitária à questão dos Estados fracassados, que passou a se tornar extremamente importante na agenda internacional do início do século XXI. A partir desse momento, o fracasso estatal passou a ser apontado como o foco de atividades desestabilizadoras para o sistema internacional, como o terrorismo, a proliferação de armas de destruição em massa, o narcotráfico e a atuação de máfias e organizações criminosas. Diante disso, a chamada Doutrina Bush identificou os Estados fracassados como a principal ameaça aos EUA, pois, na visão do governo norte-americano, eles eram considerados como o ambiente ideal para o desenvolvimento de redes terroristas.


Em 2002, a National Security Strategy, documento que delineia as metas estratégicas do governo norte-americano, declarou de forma inequívoca que a “America is now threatened less by conquering states than we are by failing ones. We are menaced less by fleets and armies than by catastrophic technologies in the hands of the embittered few” (THE WHITE HOUSE, 2002, p.1). Com efeito, a tendência apontada por Washington constitui a essência do fenômeno dos Estados fracassados, que reside em um fato incomum na história do sistema internacional: a segurança coletiva deixou de ser ameaçada pela rivalidade entre Estados com excesso de poder, passando a ser posta em xeque pelo vácuo de poder em determinados Estados (QUADROS, p.85 in PENNAFORTE, 2008). Em outras palavras, enquanto a maior parte da história das relações internacionais foi a história de conflitos entre Estados com projetos expansionistas concorrentes, hoje se percebe que o fracasso estatal (entendido aqui como a persistência de Estados sem meios de reproduzir as condições para a sua própria sobrevivência) também pode trazer instabilidade no âmbito local, regional e global.


[...]


Também deve ser apontada a escassez de análises da academia brasileira sobre o tema; e os poucos estudos que já existem adotam abordagens diferentes. Gisele Novas do Nascimento (2008, p.149-162) disserta sobre a possibilidade de organizações terroristas adquirirem armas de destruição em massa a partir de Estados fracassados, mas restringe sua análise ao mundo muçulmano. Carlos Alberto Pinto Silva (2007) relaciona a existência dos Estados fracassados com a ascensão de conflitos assimétricos no contexto sul-americano. Fabrício Alexandrino (2008) revisita os princípios que embasam o debate sobre os Estados fracassados e se debruça sobre a noção de construção de Estados (state-building), com base nas ideias de Francis Fukuyama. Bruno Quadros e Quadros (in PENNAFORTE, 2008) traça elementos preliminares para o exame dos efeitos dos Estados fracassados para o Brasil. Leandro Nogueira Monteiro (2006) é autor de um dos estudos mais completos sobre o assunto no Brasil, centrado no processo de construção do conceito de Estado fracassado e suas implicações para a Teoria das Relações Internacionais.


O texto acima é um trecho do artigo Os "Estados fracassados" sob uma visão brasileira: conceituação e elementos para a análise de seus desdobramentos securitários, que apresentei na Conferência Internacional Conjunta ISA-ABRI - "Diversidade e desigualdade na política mundial", realizada na PUC-Rio, no Rio de Janeiro, entre 22 e 24 de julho de 2009. Quem tiver interesse em ler o artigo na íntegra, clique aqui.

* Crédito da foto: Getty Images.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Ensaio-manifesto por um paradigma autenticamente brasileiro das Relações Internacionais

A instituição do curso de Relações Internacionais no Brasil é relativamente recente, datando de 1974, com a formação do primeiro curso na Universidade de Brasília (UnB). Não obstante, durante esses 35 anos formou-se uma massa crítica nos circuitos militares, diplomáticos e acadêmicos, que passou a exercer pressão social para a construção de uma teoria das Relações Internacionais sob o prisma brasileiro. Apesar disso, a preponderância do tradicional debate anglo-saxão entre idealismo e realismo – só atualmente animado pelas contribuições de paradigmas emergentes, como o construtivismo, por exemplo – de certa forma sufocou uma produção teórica autóctone, configurando o que Amado Luiz Cervo chamou de “pensamento sem teoria”.

Como ponto de partida para a ereção de um paradigma autenticamente brasileiro das Relações Internacionais, podemos considerar os seguintes elementos, que podem perfeitamente se juntar a muitos outros, dependendo das escolhas metodológicas de cada estudioso:

• o “acumulado histórico” da diplomacia brasileira (o pacifismo, o juridicismo, o realismo/pragmatismo etc.) conforme Cervo o concebe;

• as teses geopolíticas formuladas no Brasil e para o Brasil por pensadores como Therezinha Castro e Golbery do Couto e Silva; e

• a condição de “dependência” estrutural latino-americana, de acordo com as teses de Celso Furtado e Theotonio dos Santos, para quem o país encontra-se na periferia do sistema mundial do capitalismo devido às assimetrias históricas do comércio e da economia internacionais.

Enfim, o status do Brasil como “potência média” e como pólo economicamente emergente dentro de um sistema internacional de tendência multipolar torna pedra angular a formação de uma teoria brasileira das Relações Internacionais. Só ela legará aos tomadores de decisão brasileiros uma perspectiva em consonância com a nossa realidade nacional, com o objetivo último de formular uma política externa defensora dos interesses nacionais em uma “era dos gigantes”, como diria Samuel Pinheiro Guimarães.